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Perspectivas para uma recuperação verde e justa na América Latina

A recuperação econômica e social já é uma das grandes preocupações deste ano para os governos locais que enfrentam a crise provocada pela pandemia. A extensão dos danos causados ​​pela Covid-19 afeta o mundo inteiro e a América Latina de forma ainda mais intensa, devido às desigualdades sociais e econômicas da região.

De acordo com a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), a economia da América Latina contraiu 7,7% em 2020 e a previsão do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas é de que a humilde recuperação esperada para 2021, de 4,7%, mal compensará as perdas de 2020. Segundo estudos da CEPAL, a pobreza, que vinha diminuindo há décadas na região, voltou a aumentar em mais de 10%.

Problemas de todas as ordens afetaram as cidades durante o período de confinamento. O transporte público urbano, por exemplo, teve sua capacidade reduzida em alguns casos para menos de 30%, o que provocou sérios problemas para as finanças do sistema. Por outro lado, em algumas cidades o céu voltou a ficar azul graças à diminuição da mobilidade e à redução das emissões poluentes e de CO2 na atmosfera.

Nesse cenário, os desafios econômicos são crescentes. Todos os países e cidades da região enfrentam algum grau de dificuldade econômica. Mas, apesar do contexto difícil, existem muitas oportunidades para empregos verdes na América Latina, de acordo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Em 10 anos, projeta-se que 15 milhões de empregos verdes sejam criados e os esforços para criá-los serão vitais para uma recuperação justa e verde.

Nesse contexto, foi realizado na última quarta-feira (24) o evento “A recuperação verde na América Latina”, organizado pelo Pacto Global de Prefeitos pelo Clima e a Energia, com a participação de prefeitas, prefeitos e especialistas de nove países. Liderado pelo prefeito do Município de Lima, no Peru, Jorge Muñoz, o encontro teve o apoio do ICLEI América do Sul, C40 Cities e da União Europeia no Peru.

Durante o evento, o Embaixador e Chefe da Delegação da União Europeia no Peru, Diego Mellado, destacou que um dos principais objetivos do Pacto Global de Prefeitos é o combate às mudanças climáticas e que para enfrentar esse desafio não é mais possível trabalhar com pequenos projetos, “devemos alcançar uma grande transformação ecológica em todas as nossas cidades”. O Embaixador também destacou os desafios que a região enfrenta.

“É muito claro que estamos todos na mesma situação, todos temos o mesmo problema. As grandes aglomerações urbanas foram as que mais sofreram diretamente com os impactos da pandemia e é nestes espaços que temos de lançar esta recuperação econômica. E é por isso que as cidades serão fundamentais nesse processo”, disse Mellado.

O prefeito Jorge Muñoz, por sua vez, considera que a recuperação verde, com baixas emissões de carbono, é fundamental para combater os desafios que as cidades latino-americanas enfrentam não só pelo impacto da covid-19, mas também para enfrentar as consequências das mudanças climáticas sobre o planeta e a qualidade de vida da população.

“Responder a esta crise requer uma liderança ousada e oportuna por parte dos governos locais, portanto, através deste evento, pretende-se promover o diálogo sobre soluções sustentáveis ​​para sociedades inclusivas, resilientes e prósperas, reunindo também atores e aliados internacionais que prestam apoio às cidades da região no caminho da recuperação verde, identificando as questões mais urgentes, bem como as prioridades a serem consideradas para esse caminho”, defendeu Muñoz.

Para o gerente de Relações Institucionais e Advocacia do ICLEI América do Sul, Rodrigo Corradi, em toda a América Latina há uma tendência de aumento das responsabilidades dos governos locais e suas possibilidades de atuação nas diferentes áreas. Para Corradi, o evento fortaleceu o papel dos governos locais e regionais como impulsionadores dessa trajetória.

“No atual contexto de crise econômica e de saúde, as cidades devem se comprometer com uma recuperação verde que promova o desenvolvimento urbano sustentável, ambientalmente responsável e socialmente inclusivo. Agora, mais do que nunca, um trabalho alinhado com as realidades e os atores do território é fundamental”, enfatizou Corradi.

Somando-se às iniciativas para a região, o C40 preparou uma Agenda de Prefeitos para a Recuperação Verde e Justa. Como explica o Diretor Regional do C40 para América Latina, Manuel Oliveira, essa agenda mostra as ações que podem ser realizadas rapidamente ou a médio prazo e estão sendo realizadas algumas ações que foram compartilhadas com os prefeitos do C40 no mundo e também com muitos que não fazem parte da organização.

“A agenda também inclui uma lista de ações recomendadas ou solicitadas de governos nacionais e instituições multilaterais pedindo que: o único estímulo seja um estímulo verde; haja um compromisso com uma recuperação equitativa e inclusiva; proteja e promova o transporte coletivo; priorize o investimento em energia limpa; invista na resiliência das cidades e elimine os investimentos em combustíveis fósseis”, afirmou Oliveira.

Da mesma forma, o C40 ajudou as cidades de sua rede, com recursos do governo britânico, a elaborarem um plano de ação climática (PAC) cujo princípio é uma recuperação verde e justa que se reflete nos investimentos prioritários que as cidades definiram no plano. Com base na agenda citada e nos PACs, a instituição tem ajudado as cidades a direcionar seus investimentos e a ampliar as discussões com os governos nacionais conforme o caso, contou Manuel Oliveira.

Os esforços da região são também reconhecidos pela União Europeia, que é a instituição financiadora desde 2017 e continua a sê-lo nesta nova fase do Pacto Global de Prefeitos. Stephanie Horel, gerente de programa do Serviço de Instrumentos de Política Externa da Delegação da União Europeia na América Latina, agradeceu às cidades que participaram do evento e à organização pela inspiração que proporcionaram com suas experiências.

Na União Europeia, estamos muito felizes por podermos trabalhar como facilitadores dessas redes horizontais de cidades e cidadãos e os parabenizamos pelo esforço que estão fazendo para conectar projetos e soluções que estão sendo desenvolvidos nas cidades com políticas e planos no nível nacional (NDC) e internacional, bem como com instâncias das Nações Unidas, guardiãs do Acordo de Paris. Vocês terão sempre o apoio da União Europeia para a aproximação dessas redes. Para nós, o papel que o Pacto está desempenhando é fundamental e estou muito feliz por ter participado desse encontro de sucesso – declarou Horel.

Se quiser saber mais sobre o evento, assista ao vídeo do encontro que está disponível no canal do Pacto no YouTube:

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